Os estoicos e as canetas emagrecedoras
Por Daniel Rocha Vivemos na era do olhar. Tudo é visto, tudo é avaliado, tudo é comparado. Seu corpo é perfil. Sua imagem é cartão de visita. Sua aparência é discurso. E, no meio dessa vitrine permanente, surge o novo objeto de desejo coletivo: a “canetinha emagrecedora", um produto milagroso de validação para alguns. Que não promete apenas emagrecimento. Promete aplauso. Promete elogio. Promete pertencimento. Vende a ideia de um corpo magro, elogiável, aceito — quase certificado socialmente. Não é só sobre perder peso. É sobre ganhar validação. É o sonho embalado em dose controlada. Como todo produto que desperta o fetichismo da sociedade, ela chega cercada de aura quase milagrosa. Antes e depois. Sorrisos renovados. Autoestima restaurada. Felicidade em cápsulas. O corpo vira campanha publicitária de si mesmo. Auto Marketing em estado puro. Você não apenas vive — você se posiciona. Você não apenas existe — você se apresenta. Mas por trás da promessa existe uma engrenagem: padrõ...