PARTE I — QUANDO A POLÍCIA PAROU A BAHIA
Por Daniel Rocha Em julho de 2001, a Bahia viveu uma das mais graves paralisações de sua história recente. Policiais militares e civis cruzaram os braços reivindicando melhores salários e condições de trabalho. O impasse com o governo estadual, então comandado por César Borges, agravou rapidamente uma crise que ultrapassaria os limites das corporações. A greve das polícias Civil e Militar não surgiu de forma isolada. Ela expressava o descontentamento dos policiais com os baixos salários, as condições de trabalho, falta de viaturas, armamento, investimentos na segurança pública, e outras reivindicações acumuladas ao longo do tempo. Os salários dos policiais baianos no começo dos anos 2000 ajudam a entender bem o clima de tensão daquela época. De acordo com uma reportagem do Jornal do Commercio , publicada em 17 de julho de 2001, um policial militar que trabalhava nas ruas recebia em torno de R$ 450, já contando as gratificações. Na Polícia Civil, o valor chegava a a...