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CURIOSIDADES DA “PAUZOEIRA” — PARTE III

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  Por Daniel Rocha Quando se fala da antiga “Pauzoeira”, logo vêm à memória as bancas, os feirantes, os compradores, os magarefes e o intenso movimento que tomava conta do centro de Teixeira de Freitas. Mas havia personagens que trabalhavam longe dos olhos do público e que também faziam parte daquela engrenagem: as lavadeiras, principalmente aquelas que moravam nos bairros próximos, como Teixeirinha e Wilson Brito, o então conhecido “Buraquinho”. Segundo o feirante Ednaldo José, de 54 anos, a “Pauzoeira” reunia uma grande diversidade de comerciantes e trabalhadores. Entre eles estavam os magarefes, responsáveis pelo corte das carnes, que trabalhavam nas próprias bancas e mantinham uma relação próxima com os clientes. Como já mencionado no primeiro texto desta série, as exigências sanitárias daquele período eram bem diferentes das atuais. Ainda assim, havia, por parte de alguns feirantes, cuidados adotados. Alguns magarefes, profissional responsável pelo abate, desossa, esfola de...

PORTO SEGURO 1989 — MORTO POR DERRUBAR COPOS

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  Por Daniel Rocha No dia 21 de junho de 1989, jornais da região e de Salvador noticiaram que a população de Trancoso, povoado a 22 quilômetros da cidade litorânea de Porto Seguro, realizou uma manifestação em protesto contra o espancamento e assassinato de um jornalista gaúcho ocorrido na madrugada de domingo, 16 de julho, na área comercial da cidade. Freelancer de um jornal do seu estado natal, o jornalista, nascido em Caxias do Sul (RS), estava em Trancoso havia dois meses, onde passava férias com o irmão, dono de um restaurante de comida natural. Encantado com a beleza do lugar, frequentado por turistas nacionais e estrangeiros, decidiu morar na cidade, mudando-se para uma pousada e passando a trabalhar como horticultor, enquanto continuava escrevendo crônicas para o jornal. Em Novo Hamburgo, onde vivia antes de ir para Trancoso, o gaúcho era conhecido por sua participação em movimentos de defesa dos direitos humanos. Segundo relatos da época, no dia do ocorrido, o jornalis...

MEDEIROS NETO 1968 – AS CARROÇAS E A MODERNIZAÇÃO

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Por Daniel Rocha Nos anos 1960 e 1970, o Brasil estava mergulhado no discurso de progresso e modernização, e Medeiros Neto, no extremo sul da Bahia, também embarcou nessa onda. Em 1968, o prefeito Jaime Ramalho Nóbrega começou a implementar mudanças que prometiam transformar a cidade. Com a abertura de estradas e o tráfego intenso de caminhões das empresas madeireiras, os sinais de progresso começaram a aparecer. No entanto, a presença das carroças e trabalhadores carroceiros, uma espécie de antítese a cultura dos automóveis e modernidade, ainda era marcante nas ruas.  Apesar de ter dado os primeiros passos rumo ao desenvolvimento, com a aquisição de caminhões e tratores,  a prefeitura ainda contava com a força de trabalhadores  e carroças para realizar serviços públicos essenciais.  De acordo com o jornal local “O Desafio”, quatro carroças puxadas por cavalos faziam o serviço pesado: três para a limpeza pública e uma para o transporte de carne fresca. Ao mesmo t...

CURIOSIDADES DA “PAUZOEIRA” — PARTE II

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Por Daniel Rocha Fiz apenas os ajustes necessários de gramática, concordância, clareza e fluidez, preservando o conteúdo e o estilo original. Muito antes da Rádio Box do Mercado Municipal ocupar os sábados e os demais dias da semana com músicas, notícias, propagandas e recados, a antiga feira livre da “Pauzoeira” já tinha sua própria maneira de fazer o som chegar a quem passava por ali. Segundo relatos de antigos frequentadores, no meio da feira havia um poste equipado com duas grandes bocas de alto-falante. O equipamento chamava a atenção e fazia parte da paisagem da feira, espalhando música enquanto compradores circulavam e os vendedores negociavam suas mercadorias. Mas quem controlava aquele som? De acordo com o senhor Edevaldo S. Silva, de 57 anos, antigo trabalhador da “Pauzoeira”, os alto-falantes estavam ligados a um sistema conhecido como “Voz da Cidade” . Imagem orginal sem alterações por IA. E não era apenas a voz dos vendedores que ecoava pelo espaço. Entre uma negociação...

PARTE I — QUANDO A POLÍCIA PAROU A BAHIA

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  Por Daniel Rocha Em julho de 2001, a Bahia viveu uma das mais graves paralisações de sua história recente. Policiais militares e civis cruzaram os braços reivindicando melhores salários e condições de trabalho. O impasse com o governo estadual, então comandado por César Borges, agravou rapidamente uma crise que ultrapassaria os limites das corporações. A greve das polícias Civil e Militar não surgiu de forma isolada. Ela expressava o descontentamento dos policiais com os baixos salários, as condições de trabalho, falta de viaturas, armamento, investimentos na segurança pública, e outras reivindicações acumuladas ao longo do tempo. Os salários dos policiais baianos no começo dos anos 2000 ajudam a entender bem o clima de tensão daquela época. De acordo com uma reportagem do Jornal do Commercio , publicada em 17 de julho de 2001, um policial militar que trabalhava nas ruas recebia em torno de R$ 450, já contando as gratificações. Na Polícia Civil, o valor chegava a a...

TEIXEIRA DE FREITAS 1990 — O 'CONSELHO' DA MORTE

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  No início dos anos 1990, o Brasil já havia deixado para trás a Ditadura Militar e caminhava para consolidar sua democracia. Mas, no interior da Bahia, algumas práticas do passado ainda pareciam não ter recebido a notícia da mudança dos tempos. Em Duque de Caxias, povoado que naquele momento ainda pertencia a Caravelas e que, meses depois, em julho daquele mesmo ano, seria incorporado ao município de Teixeira de Freitas , aconteceu algo que chamou a atenção e expôs uma situação aparentemente contraditória. Segundo relatos do Jornal Correio de Notícias, em maio de 1990, um lavrador , Silvano, de 31 anos, foi espancado até a morte dentro de sua própria casa. E tudo teria começado por uma discussão familiar. Silvano havia discutido com a mulher. A situação irritou sua sogra de Silvano, que procurou policiais para que fossem até a residência do lavrador e lhe dessem “uns conselhos”. O que aconteceu depois transformou uma briga doméstica em tragédia. Vizinhos apontaram o subdelegado c...