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PORTO SEGURO 1989 — MORTO POR DERRUBAR COPOS

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  Por Daniel Rocha No dia 21 de junho de 1989, jornais da região e de Salvador noticiaram que a população de Trancoso, povoado a 22 quilômetros da cidade litorânea de Porto Seguro, realizou uma manifestação em protesto contra o espancamento e assassinato de um jornalista gaúcho ocorrido na madrugada de domingo, 16 de julho, na área comercial da cidade. Freelancer de um jornal do seu estado natal, o jornalista, nascido em Caxias do Sul (RS), estava em Trancoso havia dois meses, onde passava férias com o irmão, dono de um restaurante de comida natural. Encantado com a beleza do lugar, frequentado por turistas nacionais e estrangeiros, decidiu morar na cidade, mudando-se para uma pousada e passando a trabalhar como horticultor, enquanto continuava escrevendo crônicas para o jornal. Em Novo Hamburgo, onde vivia antes de ir para Trancoso, o gaúcho era conhecido por sua participação em movimentos de defesa dos direitos humanos. Segundo relatos da época, no dia do ocorrido, o jornalis...

MEDEIROS NETO 1968 – AS CARROÇAS E A MODERNIZAÇÃO

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Por Daniel Rocha Nos anos 1960 e 1970, o Brasil estava mergulhado no discurso de progresso e modernização, e Medeiros Neto, no extremo sul da Bahia, também embarcou nessa onda. Em 1968, o prefeito Jaime Ramalho Nóbrega começou a implementar mudanças que prometiam transformar a cidade. Com a abertura de estradas e o tráfego intenso de caminhões das empresas madeireiras, os sinais de progresso começaram a aparecer. No entanto, a presença das carroças e trabalhadores carroceiros, uma espécie de antítese a cultura dos automóveis e modernidade, ainda era marcante nas ruas.  Apesar de ter dado os primeiros passos rumo ao desenvolvimento, com a aquisição de caminhões e tratores,  a prefeitura ainda contava com a força de trabalhadores  e carroças para realizar serviços públicos essenciais.  De acordo com o jornal local “O Desafio”, quatro carroças puxadas por cavalos faziam o serviço pesado: três para a limpeza pública e uma para o transporte de carne fresca. Ao mesmo t...

CURIOSIDADES DA “PAUZOEIRA” — PARTE II

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Por Daniel Rocha Fiz apenas os ajustes necessários de gramática, concordância, clareza e fluidez, preservando o conteúdo e o estilo original. Muito antes da Rádio Box do Mercado Municipal ocupar os sábados e os demais dias da semana com músicas, notícias, propagandas e recados, a antiga feira livre da “Pauzoeira” já tinha sua própria maneira de fazer o som chegar a quem passava por ali. Segundo relatos de antigos frequentadores, no meio da feira havia um poste equipado com duas grandes bocas de alto-falante. O equipamento chamava a atenção e fazia parte da paisagem da feira, espalhando música enquanto compradores circulavam e os vendedores negociavam suas mercadorias. Mas quem controlava aquele som? De acordo com o senhor Edevaldo S. Silva, de 57 anos, antigo trabalhador da “Pauzoeira”, os alto-falantes estavam ligados a um sistema conhecido como “Voz da Cidade” . Imagem orginal sem alterações por IA. E não era apenas a voz dos vendedores que ecoava pelo espaço. Entre uma negociação...

PARTE I — QUANDO A POLÍCIA PAROU A BAHIA

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  Por Daniel Rocha Em julho de 2001, a Bahia viveu uma das mais graves paralisações de sua história recente. Policiais militares e civis cruzaram os braços reivindicando melhores salários e condições de trabalho. O impasse com o governo estadual, então comandado por César Borges, agravou rapidamente uma crise que ultrapassaria os limites das corporações. A greve das polícias Civil e Militar não surgiu de forma isolada. Ela expressava o descontentamento dos policiais com os baixos salários, as condições de trabalho, falta de viaturas, armamento, investimentos na segurança pública, e outras reivindicações acumuladas ao longo do tempo. Os salários dos policiais baianos no começo dos anos 2000 ajudam a entender bem o clima de tensão daquela época. De acordo com uma reportagem do Jornal do Commercio , publicada em 17 de julho de 2001, um policial militar que trabalhava nas ruas recebia em torno de R$ 450, já contando as gratificações. Na Polícia Civil, o valor chegava a a...

TEIXEIRA DE FREITAS 1990 — O 'CONSELHO' DA MORTE

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  No início dos anos 1990, o Brasil já havia deixado para trás a Ditadura Militar e caminhava para consolidar sua democracia. Mas, no interior da Bahia, algumas práticas do passado ainda pareciam não ter recebido a notícia da mudança dos tempos. Em Duque de Caxias, povoado que naquele momento ainda pertencia a Caravelas e que, meses depois, em julho daquele mesmo ano, seria incorporado ao município de Teixeira de Freitas , aconteceu algo que chamou a atenção e expôs uma situação aparentemente contraditória. Segundo relatos do Jornal Correio de Notícias, em maio de 1990, um lavrador , Silvano, de 31 anos, foi espancado até a morte dentro de sua própria casa. E tudo teria começado por uma discussão familiar. Silvano havia discutido com a mulher. A situação irritou sua sogra de Silvano, que procurou policiais para que fossem até a residência do lavrador e lhe dessem “uns conselhos”. O que aconteceu depois transformou uma briga doméstica em tragédia. Vizinhos apontaram o subdelegado c...

TEIXEIRA DE FREITAS 1997 – O SEMINÁRIO E OS NOVOS CAMINHOS PARA A SAÚDE 

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  Por Daniel Rocha (Continuação do texto anterior)   Nos dias 17 e 18 de outubro de  1997 , foi realizado com sucesso em Teixeira de Freitas  o I Seminário de Saúde  que reuniu profissionais da saúde, gestores públicos, lideranças comunitárias e especialistas para discutir os desafios do setor e pensar, de forma coletiva, novos caminhos para a saúde do município. Entre os participantes estava o sanitarista fluminense Luís Carlos Hubner Moreira, que ministrou a palestra “Municipalização da Saúde: Teoria e Prática” . Durante sua apresentação, Hubner destacou a importância da descentralização da gestão, da participação popular e da construção de políticas públicas de saúde mais próximas da realidade das comunidades. O seminário representou uma mudança de postura da administração municipal. Pela primeira vez, a população era chamada a participar diretamente das discussões sobre os rumos da saúde pública de Teixeira de Freitas. As discussões ...

ITAMARAJU 1994 - A GANGUE DO ARRASTÃO

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  Por Daniel Rocha Imagine o seguinte: início dos anos 1990, Itamaraju , no Extremo Sul da Bahia. Uma cidade que deveria ser marcada pela tranquilidade típica do interior teve seu cotidiano abalado por manchetes que falavam de assaltos, mortes e medo, sempre associadas à Gangue do Arrastão . De acordo com um jornal da época, em 1994 essa quadrilha já aterrorizava a população havia mais de um ano. Não era “um grupo qualquer”: reunia mais de 60 integrantes envolvidos em assaltos a bancos, roubos de veículos, tráfico de drogas e homicídios. Um verdadeiro desafio para as forças de segurança locais. À frente da ofensiva policial estava o delegado regional Luiz de Castro Freazza, cuja atuação ganhou destaque na imprensa baiana pela forma como enfrentou a quadrilha. O combate exigiu a mobilização de um contingente formado por policiais do município e de cidades vizinhas. Em uma grande operação, realizada com o apoio de cerca de 30 policiais, foram presos João T. Antônio, conhecido como J...