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PARTE I — QUANDO A POLÍCIA PAROU A BAHIA

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  Por Daniel Rocha Em julho de 2001, a Bahia viveu uma das mais graves paralisações de sua história recente. Policiais militares e civis cruzaram os braços reivindicando melhores salários e condições de trabalho. O impasse com o governo estadual, então comandado por César Borges, agravou rapidamente uma crise que ultrapassaria os limites das corporações. A greve das polícias Civil e Militar não surgiu de forma isolada. Ela expressava o descontentamento dos policiais com os baixos salários, as condições de trabalho, falta de viaturas, armamento, investimentos na segurança pública, e outras reivindicações acumuladas ao longo do tempo. Os salários dos policiais baianos no começo dos anos 2000 ajudam a entender bem o clima de tensão daquela época. De acordo com uma reportagem do Jornal do Commercio , publicada em 17 de julho de 2001, um policial militar que trabalhava nas ruas recebia em torno de R$ 450, já contando as gratificações. Na Polícia Civil, o valor chegava a a...

TEIXEIRA DE FREITAS 1990 — O 'CONSELHO' DA MORTE

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  No início dos anos 1990, o Brasil já havia deixado para trás a Ditadura Militar e caminhava para consolidar sua democracia. Mas, no interior da Bahia, algumas práticas do passado ainda pareciam não ter recebido a notícia da mudança dos tempos. Em Duque de Caxias, povoado que naquele momento ainda pertencia a Caravelas e que, meses depois, em julho daquele mesmo ano, seria incorporado ao município de Teixeira de Freitas , aconteceu algo que chamou a atenção e expôs uma situação aparentemente contraditória. Segundo relatos do Jornal Correio de Notícias, em maio de 1990, um lavrador , Silvano, de 31 anos, foi espancado até a morte dentro de sua própria casa. E tudo teria começado por uma discussão familiar. Silvano havia discutido com a mulher. A situação irritou sua sogra de Silvano, que procurou policiais para que fossem até a residência do lavrador e lhe dessem “uns conselhos”. O que aconteceu depois transformou uma briga doméstica em tragédia. Vizinhos apontaram o subdelegado c...

TEIXEIRA DE FREITAS 1997 – O SEMINÁRIO E OS NOVOS CAMINHOS PARA A SAÚDE 

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  Por Daniel Rocha (Continuação do texto anterior)   Nos dias 17 e 18 de outubro de  1997 , foi realizado com sucesso em Teixeira de Freitas  o I Seminário de Saúde  que reuniu profissionais da saúde, gestores públicos, lideranças comunitárias e especialistas para discutir os desafios do setor e pensar, de forma coletiva, novos caminhos para a saúde do município. Entre os participantes estava o sanitarista fluminense Luís Carlos Hubner Moreira, que ministrou a palestra “Municipalização da Saúde: Teoria e Prática” . Durante sua apresentação, Hubner destacou a importância da descentralização da gestão, da participação popular e da construção de políticas públicas de saúde mais próximas da realidade das comunidades. O seminário representou uma mudança de postura da administração municipal. Pela primeira vez, a população era chamada a participar diretamente das discussões sobre os rumos da saúde pública de Teixeira de Freitas. As discussões ...

ITAMARAJU 1994 - A GANGUE DO ARRASTÃO

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  Por Daniel Rocha Imagine o seguinte: início dos anos 1990, Itamaraju , no Extremo Sul da Bahia. Uma cidade que deveria ser marcada pela tranquilidade típica do interior teve seu cotidiano abalado por manchetes que falavam de assaltos, mortes e medo, sempre associadas à Gangue do Arrastão . De acordo com um jornal da época, em 1994 essa quadrilha já aterrorizava a população havia mais de um ano. Não era “um grupo qualquer”: reunia mais de 60 integrantes envolvidos em assaltos a bancos, roubos de veículos, tráfico de drogas e homicídios. Um verdadeiro desafio para as forças de segurança locais. À frente da ofensiva policial estava o delegado regional Luiz de Castro Freazza, cuja atuação ganhou destaque na imprensa baiana pela forma como enfrentou a quadrilha. O combate exigiu a mobilização de um contingente formado por policiais do município e de cidades vizinhas. Em uma grande operação, realizada com o apoio de cerca de 30 policiais, foram presos João T. Antônio, conhecido como J...

TEIXEIRA DE FREITAS, 1997 – QUANDO A SAÚDE MUDOU DE RUMO

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  Por Daniel Rocha Nem sempre uma grande transformação começa com um prédio novo, um hospital maior ou mais equipamentos. Às vezes, ela começa com uma mudança na maneira de pensar. E foi justamente isso que começou a acontecer em Teixeira de Freitas, em 1997 . No primeiro ano do mandato do prefeito Wagner Mendonça (1997–2000), a forma de construir e discutir a saúde da cidade iniciava uma nova era, representando uma nova maneira de pensar a oferta de saúde pública e o cuidado com a população. Foi um momento em que a cidade começou a deixar para trás um modelo hospitalocêntrico, voltado principalmente para o tratamento das doenças, para construir uma rede baseada na prevenção, no acompanhamento das famílias e na participação da comunidade nas decisões sobre as escolhas e os investimentos na área da saúde. Com a municipalização da saúde, em 1997 , o município assumiu o controle de recursos e de órgãos que antes estavam sob responsabilidade do Estado, como o Hospital Regional, que pas...

CURIOSIDADES DA “PAUZOEIRA” — PARTE I

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  Por Daniel Rocha Muito antes de o Centro de Abastecimento Municipal Timóteo Alves de Brito, o famoso Mercadão, ser inaugurado em 1988, Teixeira de Freitas já tinha seu grande centro comercial: a feira livre da “Pauzoeira”, que, segundo as memórias e relatos sobre aquele período, existiu entre a década de 1970 e o final da década de 1980. E o nome não era por acaso. A feira era marcada por inúmeras barracas feitas de paus e estruturas simples de madeira, muitas delas sem cobertura. Era comércio, convivência e, como mostram as memórias de quem viveu aquele tempo, um verdadeiro espetáculo de cenas que hoje poderiam até parecer roteiro de comédia. Foto: Antiga Pausoeira. Uma delas envolvia os cachorros. Quem chegasse à “Pauzoeira” naquela época provavelmente encontraria muitos cães circulando livremente entre as barracas. E eles não estavam ali exatamente para fazer compras. A explicação estava no cardápio da própria feira. A “Pauzoeira” tinha forte comércio de carnes. Segundo re...

Teixeira de Freitas 2011 – O acidente com o ônibus do Exército

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  Por Daniel Rocha Na madrugada de 9 de agosto de 2011 , por volta das 5 horas da manhã, Teixeira de Freitas acordou com a notícia de um grave acidente na BR-101, nas proximidades do Rio do Sul, mobilizando toda assistência de saúde do município que tinha Aparecido Statut como prefeito. Um ônibus do Exército Brasileiro havia capotado, deixando mortos e dezenas de feridos. O caso ganhou destaque nos jornais, na televisão e nos principais sites de notícias do país e do estado. O ônibus tinha saído de Salvador e seguia para Resende, no Rio de Janeiro, levando militares da Escola de Formação Complementar do Exército (EsFCEx), onde participariam de um treinamento.  Durante a viagem, o motorista Flávio Santana Passos, de 39 anos , perdeu o controle do veículo em uma curva. O ônibus saiu da pista, derrapou e capotou várias vezes. Segundo a Polícia Rodoviária Federal , três militares morreram no acidente, dezenas de pessoas ficaram feridas e pelo menos três estavam em estado grave....