A abertura da BR-101 no extremo sul da Bahia - Parte 01
Considerado um indigente, o homem foi enterrado em um caixão simples, feito às pressas, com material barato e sem forro. Desde então, por observação de um morador sobre o ocorrido, o lugar passou a ser conhecido, durante muitos anos, entre transeuntes e moradores, como "Caixão Sem Forro".
De acordo com informações publicadas no Jornal do Brasil, em 1972, o surto também atingiu cidades do norte do Espírito Santo e do Nordeste de Minas Gerais.
A propagação da doença estava associada à malária, que já havia provocado a morte de 39 pessoas, além da chegada de uma grande leva de trabalhadores nordestinos à região para atuar na construção de rodovias. Segundo o periódico, o surto teria causado mais de 90 mortes em todo o extremo sul da Bahia.
Na época, a Secretaria de Saúde do Estado enviou uma equipe à região para intensificar a vacinação e mobilizou investigadores sanitários, que constataram casos de febre tifoide na área do município de Mucuri, onde 20 mortes haviam sido registradas.
Essas mortes acabaram silenciadas pelas narrativas sobre o desenvolvimento econômico da região, frequentemente apresentadas sem as devidas ponderações críticas acerca dos impactos sociais e sanitários provocados pela abertura das rodovias.
Referências
FERREIRA, Susana. A vida privada de negros pioneiros no povoamento de Teixeira de Freitas na década de 1960. Teixeira de Freitas: Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Campus X, 2010.
HOOIJ, Frei Elias. Os desbravadores do Extremo Sul da Bahia. Belo Horizonte: [s.n.], 2011.
RALILE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de; SOUZA, Scheila Franca de. Aspectos da política; história dos povoados, bairros e distritos de Caravelas. In: RALILE, Benedito Pereira; SOUZA, Carlos Benedito de; SOUZA, Scheila Franca de. Relatos históricos de Caravelas: desde o século XVI. Caravelas: Fundação Professor Benedito Ralile, 2006.
Atualizado 02/07/2026

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