Teixeira de Freitas 1996 - A explosão de um avião militar

 


Por Daniel Rocha

Pouca gente se lembra, mas o extremo sul da Bahia já foi cenário de um dos acidentes aéreos mais impressionantes dos anos 1990. Era madrugada de 21 de maio de 1996 quando um avião militar explodiu poucos minutos depois de decolar do aeroporto de Caravelas, deixando um rastro de fogo, mistério e comoção entre Caravelas e Teixeira de Freitas.

A aeronave era um Bandeirante da Força Aérea Brasileira, prefixo 2295. O voo fazia parte de uma missão estratégica e tinha como destino final o Rio de Janeiro. Antes disso, havia passado por Vitória, no Espírito Santo, e feito uma parada técnica em Caravelas apenas para reabastecer. A próxima escala seria Salvador. Mas o plano nunca se cumpriu.

Logo após levantar voo, o avião explodiu ainda no ar. Os destroços caíram em uma área isolada, a cerca de cinco quilômetros do aeroporto, próxima à estrada que liga Caravelas a Teixeira de Freitas. O impacto foi tão violento que a aeronave ficou completamente destruída e os corpos dos ocupantes foram lançados para fora da fuselagem — um detalhe que até hoje impressiona quem conhece a história.

No acidente morreram quatro militares da Aeronáutica: o major aviador Hélio Conte, o capitão aviador Jorge Hélio de Oliveira, o suboficial mecânico Antônio Carlos da Silva e o sargento mecânico Luiz Carlos de Souza. O silêncio da madrugada foi quebrado pelo estrondo da explosão e, horas depois, pelas sirenes e pelo movimento incomum de equipes de resgate na região.


Imagens Ilustrativas


Um fato pouco conhecido é que o Bandeirante não era operado diretamente pela FAB, mas pela empresa Aerochile S/A, contratada pela Infraero para transportar pessoal e carga militar. Esse detalhe levantou questionamentos na época e alimentou a curiosidade em torno das investigações sobre as causas do acidente.

Para muitos hoje, a queda do Bandeirante em 1996 já figura como uma página esquecida da história local, sua lembrança sobrevive apenas em arquivos de jornal e em relatos esparsos. 

À época, apesar do impacto e  curiosidade regional, a abordagem jornalística foi fria e rapidamente engolida pelo noticiário nacional. Retomar esse episódio hoje é importante para compreender que os céus do extremo sul da Bahia não são casuais. 

A região já integrou rotas e operações militares desde a Segunda Guerra Mundial, quando Caravelas teve papel estratégico no patrulhamento do Atlântico Sul. Essa herança histórica faz do extremo sul baiano um território estrategicamente relevante para ocasiões de guerra, ainda que  essa relevância  seja pouco reconhecida pelos seus habitantes.

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