O lado obscuro do querer



Por Daniel Rocha

Tudo começa com um querer.

Querer mudar.

Querer vencer.
Querer ir além.

O querer move o mundo, constrói histórias, levanta gente do chão e faz o impossível parecer perto. Sem desejo, não existe conquista. Antes da lua, houve a vontade. Antes da vitória, houve a inquietação.

Mas atenção: nem todo querer leva ao topo.
Alguns levam ao fundo.

O desejo pode ser combustível… ou veneno. Quando não é bem pensado, ele engana, promete e cobra caro. O que parecia caminho vira armadilha. E o que era sonho vira peso.

Quantas dores de hoje não nascem daí?
Vícios, ansiedade, frustração, depressão.

Não porque as pessoas querem demais — mas porque querem sem direção. Quando o desejo deixa de servir, ele passa a mandar. E aí o preço é alto.

A filosofia existencialista joga a real: a vida não vem com manual. A gente deseja porque sente falta de algo. E quando tenta usar o desejo pra tapar esse vazio, se perde. O querer vira fuga. Fuga do medo, da angústia, da responsabilidade de existir.

Albert Camus já avisava: o mundo não vai atender todas as nossas expectativas. O erro não é desejar. O erro é acreditar que o desejo vai salvar tudo. Desejar sem ilusão é um ato de coragem.

O racionalismo completa o recado: querer é bom, mas pensar é essencial. Não basta desejar. É preciso entender o porquê, o pra quê e o até onde. A razão não mata o sonho — ela dá direção.

No fim, a mensagem é simples e marcante como ferro quente:
Querer é força.
Mas sem consciência, vira fraqueza.

O verdadeiro avanço não está em querer mais.
Está em querer melhor.

Porque desejar é humano.
Ser dominado pelo próprio desejo, não.

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