I – ÂNGELO MAGALHÃES: A ESCOLA QUE MARCOU GERAÇÕES



Por Daniel Rocha

Há cidades que podem ser contadas por ruas, praças e prédios. Outras, porém, se revelam melhor pelas escolas que ajudaram a formar sua gente. Em Teixeira de Freitas, uma dessas histórias passa, inevitavelmente, pelo antigo Colégio Estadual Ângelo Magalhães.

Antes mesmo da emancipação, em 1985, quando o lugar ainda buscava se organizar como cidade, já havia ali um movimento silencioso, mas decisivo: o de garantir educação para uma população que crescia junto com o sonho urbano. 

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Há registros de atividades educacionais no local da escola desde a década de 1970, com a escola Engenheiro Eduardo Pires, como se o colégio tivesse surgido antes mesmo de existir oficialmente — um traço comum às instituições que nascem da necessidade.

A formalização veio em  4 de dezembro de 1981, quando a Prefeitura de Alcobaça, à qual Teixeira ainda estava subordinada, doou um terreno no Recanto do Lago ao Estado da Bahia. Era uma área ampla, destinada exclusivamente à construção de uma escola pública. Dois anos depois, em setembro de 1983, surgia oficialmente o Colégio de 1º Grau Dr. Ângelo Magalhães.

Mas nenhuma escola se faz apenas de decreto.Nos primeiros anos, o que sustentava o cotidiano eram pessoas: professores que, mesmo diante de limitações estruturais, mantinham o compromisso com o ensino.

Nos primeiros anos, nomes como Railda Moreira, Marlene Pires, Regina, Gerisdalva, Professor Roberto, Marinalva, Ana Maria Mendes  e tantos outros e outros, ficaram gravados não em placas, mas na memória de quem passou por suas salas.

No final dos anos 1980, a escola já acompanhava o ritmo acelerado da cidade. Funcionava em três turnos, com destaque para o período noturno, acolhendo trabalhadores do comércio que, depois de um dia inteiro de trabalho, ainda encontravam fôlego para estudar. 

Era ali que muitos buscavam ampliar horizontes, numa rotina que misturava cansaço e esperança e resistência a barreiras sociais, como a exigência de roupas adequadas, uniformes, e calçados, nem sempre acessíveis a condições de todos.

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Ao mesmo tempo, o colégio também atraía famílias da zona rural. Algumas enfrentavam longos deslocamentos; outras acabavam se estabelecendo na cidade. Em comum, havia a aposta na educação como caminho possível.

Colégio Estadual Ângelo Magalhães

A estrutura, inicialmente simples, foi sendo ampliada ao longo dos anos. Parte disso veio de investimentos públicos; parte, do envolvimento direto da comunidade. Como tantas instituições do interior, o colégio cresceu não apenas em paredes, mas em significado.

Hoje, ao olhar para trás, é difícil separar a história do Colégio Ângelo Magalhães da própria trajetória de Teixeira de Freitas e o crescimento de diversos teixeirenses de diferentes gerações. 

Em muitos aspectos, ele foi mais que uma escola: foi ponto de encontro, espaço de mobilidade social e testemunha silenciosa de uma cidade que aprendia a existir. E, como toda boa lembrança, essa também não se encerra aqui, continua na próxima postagem.

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