II – Ângelo Magalhães: uma escola da comunidade



Por Daniel Rocha

Há escolas que funcionam com orçamento. Outras, com vontade. Em Teixeira de Freitas, nos anos 1990, o Colégio Estadual Ângelo Magalhães parecia se sustentar, sobretudo, na segunda opção.

Na virada dos anos 80 para os 90, enquanto a cidade ainda aprendia a crescer, a escola já se firmava como referência no antigo primeiro grau. Mas esse reconhecimento não veio fácil. Veio do esforço de quem estava dentro: professores comprometidos, alunos presentes e famílias que não ficavam de fora quando o assunto era garantir o funcionamento da escola.

Os relatos de ex-alunos ajudam a reconstruir esse cenário. O dinheiro que vinha não dava conta, e o que não chegava precisava ser inventado. Rifas, festas, gincanas — qualquer iniciativa virava oportunidade de arrecadar recursos. Não era um evento ocasional, era rotina. Era o jeito de manter a escola de pé e, mais do que isso, de fazê-la avançar.

Segundo a perspectiva de José Neto , que entrou no colégio no início da década de 1990, era essa a realidade e a diretora Íris Barreto estava sempre puxando mobilizações, tentando resolver problemas que iam do básico ao urgente. 

Um dos episódios que ficaram na memória aconteceu ali perto, na Avenida Presidente Getúlio Vargas. Estudantes se reuniram à beira da pista, aguardando a passagem do então governador Antônio Carlos Magalhães.

Nas mãos, um documento com reivindicações por melhorias. A resposta nunca veio, mas o gesto ficou — como registro das dificuldades enfrentadas por uma geração.

Era um tempo difícil para a educação no país. Os governos de Fernando Collor de Mello e Itamar Franco atravessavam um período de contenção de gastos, enquanto, no estado, os governos não priorizava investimentos na área. No fim das contas, a conta chegava na escola — e era a comunidade que precisava fechá-la.

E fechava. Com o dinheiro arrecadado, vieram melhorias concretas: ventiladores nas salas, muros erguidos, quadra reformada, auditório montado, biblioteca ampliada. Pequenas vitórias que, somadas, transformavam o espaço. O colégio deixava de ser apenas um lugar de aula para se tornar um exemplo de participação.

Na segunda metade dos anos de 1990, o resultado de tudo isso já era visível. O Ângelo Magalhães tinha nome. Era citado como uma das melhores escolas de ensino fundamental da cidade, talvez a principal da rede estadual. As vagas eram disputadas, e não era raro ver famílias de classe média alta optando pela escola pública, confiando na qualidade do ensino.

E havia motivo. O corpo docente era lembrado como um dos grandes diferenciais. Professores que marcaram época, que deram rosto à qualidade que a escola construiu ao longo dos anos. Uma reputação que não se explicava apenas por números, mas pela experiência de quem passou por ali.

Anos depois, um documento da prefeitura datado de 17 de dezembro de 2007, mostra o tamanho da estrutura que a escola alcançou: um terreno de 3.922 m², com 914,13 m² de área construída, 11 salas de aula, biblioteca, cozinha, cantina, auditório, quadra poliesportiva e áreas administrativas. 

Um verdadeiro espaço de resistência, participação e construção coletiva — Um lugar de memória e lembranças carregada por diversos alunos e alunas. Assunto do nosso próximo texto.


Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com. Acesse nossa Comunidade no Facebook
O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido, publicado no todo ou em partes, ou convertido em áudio ou vídeo sem autorização expressa do autor.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

História de Teixeira de Freitas - Praça dos leões: Parte final

A história de Teixeira de Freitas - A Praça da Bíblia

História de Teixeira de Freitas. Praça dos Leões o marco zero da cidade: parte 01