TEIXEIRA DE FREITAS 41 ANOS - “A MATINHA DO BURAQUINHO”



Por Daniel Rocha

Uma pequena área verde localizada no centro de Teixeira de Freitas, entre os bairros Novo Horizonte e Wilson Brito (região do Buraquinho), resiste ao avanço urbano e preserva parte da história local.

Conhecida pelos moradores como “matinha do centro”, a área reúne vestígios de mata nativa, nascentes e relatos que ajudam a compreender o cotidiano das primeiras décadas de ocupação da cidade.

Situada às margens da Avenida Marechal Castelo Branco, a área é atualmente pouco frequentada. No entanto, segundo relatos de antigos moradores, já foi um dos pontos mais movimentados da região, especialmente nos anos 1970, período em que não havia abastecimento de água tratada e encanada para a população.


A ex-moradora Jovina Maria, uma das primeiras residentes do bairro Buraquinho, recorda que, à época, havia poucas casas e infraestrutura limitada.

Sem acesso à rede de água, os moradores utilizavam o córrego que nasce na mata e as nascentes de água limpa existentes no local para atividades domésticas, como lavar roupas, utensílios e até para o banho. O espaço era, segundo ela, intensamente frequentado ao longo do dia, sobretudo por donas de casa.

De acordo com o relato de Arnaldo Santos, registrado em conversa informal em 2013, a abundância de água influenciou a antiga denominação da área, conhecida como “Fazenda Água Limpa”. O local era caracterizado por vegetação densa, presença de madeiras nobres e até animais como jacarés, sendo pouco habitado na época.




Com o passar dos anos, a relação dos moradores com o espaço foi se transformando. A implantação de equipamentos urbanos e o lançamento de esgoto no córrego, incluindo contribuições provenientes do Hospital Santa Rita, comprometeram a qualidade da água e reduziram o uso da área para atividades cotidianas.

Apesar das mudanças, a “matinha” segue sendo um refúgio para a fauna local. Moradores relatam a presença de animais como saguis, cobras e até raposas. Um episódio recente, ocorrido há cerca de três anos, envolveu o ataque de uma raposa a um morador, que sofreu uma mordida no braço.

Atualmente, o local abriga um brejo, a nascente de um córrego e vegetação densa, além de animais peçonhentos. Mesmo cercada pela urbanização, a área permanece como um espaço que reúne biodiversidade e memória, muitas vezes despercebido por quem passa pelo centro da cidade.



Com o avanço da ocupação urbana, novas residências foram construídas nas proximidades, aproximando ainda mais a cidade desse espaço. No espaço residem artistas, moradores comuns, trabalhadores e trabalhadoras nem sempre em condições de moradia adequadas.

Ao longo do tempo, a “matinha do centro” passou por processos de degradação e regeneração, mantendo-se como um território que, apesar das transformações, continua a renascer e a preservar parte da história ambiental e social de Teixeira de Freitas.

Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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