Medeiros Neto 1967- Luiz Gonzaga, sanfona e casa cheia


Por Daniel Rocha

Como já foi contado no texto anterior, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, passou pelo Extremo Sul da Bahia em 1967 fazendo uma verdadeira maratona de shows. Naquela viagem, ele cantou em cidades como Ilhéus e em Teixeira de Freitas, que na época ainda era só um povoado. E,
claro, Medeiros Neto também entrou nesse roteiro.

Segundo registros de jornais da época, Gonzaga se apresentou em Medeiros Neto nos dias 7, 8 e 9 de julho de 1967. Assim como aconteceu em Teixeira de Freitas, os shows foram um sucesso e atraíram muita gente.

A cidade vivia um momento bem agitado. Naquele período, Medeiros Neto era administrada pelo prefeito Ramalho Nóbrega e tinha acabado de inaugurar um novo motor a óleo, que melhorou o fornecimento de energia.

Ao mesmo tempo, a descoberta da Lavra da Turmalina trouxe um verdadeiro fluxo de garimpeiros para o município, cerca de dois mil homens, vindos de todo canto, atrás de riqueza.

A primeira apresentação do cantor e de sua trupe ocorreu no Clube Social Esportivo e Cultural e surpreendeu pelo grande sucesso. Considerando o perfil habitual dos frequentadores do espaço, pouco afeitos a artistas populares, não se esperava grande entusiasmo pela sanfona do Rei do Baião.

E não parou por aí. Depois do show do dia 7 de julho no clube, Gonzaga se apresentou  no dia 08 para um público ainda maior no Cine Arte, que, assim como o Cine Elizabete em Teixeira de Freitas, também servia como cinema, casa de shows e salão de festas.

Para fechar sua passagem pela cidade e pela região, no dia 9 de julho, o Rei do Baião cantou especialmente para os trabalhadores da Lavra da Turmalina. Foi um show marcante, que reforçou ainda mais a ligação de Gonzaga com o povo simples e trabalhador, uma marca que sempre acompanhou sua carreira.

A passagem de Luiz Gonzaga por Medeiros Neto e em Teixeira de Freitas na década de 1960, constitui um importante episódio da história cultural do Extremo Sul da Bahia e evidencia tanto a circulação da música nordestina tradicional em um contexto de mudanças nacionais quanto as dinâmicas sociais locais, marcadas por disputas simbólicas, transformações econômicas e processos de urbanização em curso.


Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com. Acesse nossa Comunidade no Facebook


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

História de Teixeira de Freitas - Praça dos leões: Parte final

A história de Teixeira de Freitas - A Praça da Bíblia

História de Teixeira de Freitas. Praça dos Leões o marco zero da cidade: parte 01