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Teixeira de Freitas e as Raízes Juninas
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Por Daniel Rocha
Nas décadas de 1960, 1980 e 1990, as festas de São João e São Pedro em Teixeira de Freitas foram um dos momentos mais marcantes da vida comunitária. As ruas se enfeitavam com bandeirolas coloridas, palhas de coqueiro e fogueiras, criando um ambiente festivo que reunia quadrilhas e muitos casamentos na roça.
A festa principal acontecia na Praça dos Leões e nos bairros existentes, reunindo a marca da miscigenação brasileira e a influência dos diversos povos que ajudaram a formar o povoado.
De acordo com o documentário Teixeira de Freitas, produzido pela TV Sul Bahia em 1996, os moradores mantinham fortemente os costumes trazidos da zona rural. Os movimentos culturais eram marcados por homenagens aos santos católicos.
Festa Junina na Rua da Paz, no bairro São Lourenço. Ano não identificado
O ciclo iniciava em janeiro, com as Festas dos Reis (6 de janeiro), e seguia com a festa de São Sebastião, organizada por figuras como a parteira Ana do Torquato, Maria de Lurdes e Pedro Guerra, entre outros.
Segundo relatos, Dona Ana do Torquato era a grande responsável pela organização da festa de São Sebastião, padroeiro original do povoado. Já o Sr. Pedro Guerra, que morava próximo à Praça dos Leões e da Igreja São Pedro, contribuía intensamente para os festejos de São Pedro.
Com o tempo, Frei Elias decidiu trocar o padroeiro, o que gerou grande contrariedade para Dona Ana. Em 1969, a igreja na praça foi dedicada a São Pedro, e a festa de São Sebastião foi transferida para outra parte do povoado. Dessa forma, as festas de São João e São Pedro se popularizaram ainda mais.
Os pratos típicos refletiam a riqueza cultural local: biscoitos de goma, frango assado, leitão e o licor de jenipapo. Com a chegada de imigrantes mineiros e capixabas, novos elementos foram incorporados, como a canjica com amendoim, diferentes preparos de licores e o tradicional quentão.
Na arrumação das festas, era possível perceber a diversidade que forma o povo brasileiro e o teixeirense: as palhas de coqueiro remetiam à cultura nativa; a fogueira e as quadrilhas traziam influência européia; já os pratos à base de milho (pamonha, canjica), amendoim e o quentão (derivado do licor) representavam a mistura de influências indígenas, africanas e europeias.
Festa Junina na Rua da Paz, no bairro São Lourenço. Restaurado IA
Na década de 1990, algumas iniciativas comunitárias mantiveram viva a tradição junina autêntica, como a festa do padroeiro na Praça dos Leões, a festa junina da Igreja Santo Antônio, dentre outras, a do Espaço Cultural da Paz, no bairro São Lourenço, e a do Bar da Viúva, no Recanto do Lago, conhecidos pelos arraiás e quadrilhas animadas.
Hoje, em meio às transformações da cidade, algumas resistências culturais persistem nos bairros para além das paróquias.Um exemplo são as iniciativas no bairro da Lagoa, no Beco Cultural, e a do Bar do Viola, no bairro Wilson Guimarães Soares (popularmente conhecido como Buraquinho), que continua realizando sua festa tradicional, mantendo acesa a chama das memórias juninas de Teixeira de Freitas.
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
Contato: WhatsApp (73) 99811-8769 | E-mail: samuithi@hotmail.com. Acesse nossa Comunidade no Facebook
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Fontes
ESPECIAL. Retrospectiva Histórica de Teixeira de Freitas. TV Sul Bahia, 1996.
BANCO DO NORDESTE. As origens: Teixeira de Freitas. Fortaleza – Ceará, p. 05-07, jan. 1986.
Praça do Leões início da década de 1990 Por Daniel Rocha Segundo Godoaldo Amaral, em conversa informal com Domingos Cajueiro Correia, a urbanização da Praça dos Leões, que fica na parte central da cidade, foi realizada na administração do prefeito Gerson de Oliveira Costa, vulgo “Caboclinho”, entre os anos de 1972 e 1982. Já para o senhor Almir Santos, morador da cidade desde 1960, a Praça dos Leões foi construída em 1974; feita para recepcionar o governador Antônio Carlos Magalhães que em 1971, havia visitado a capela de São Pedro e prometido voltar novamente. Na segunda visita do governador em 1974, ele discursou sobre o projetos para a região e aproveitou a oportunidade para prometer “a luz de Paulo Afonso” ,que chegaria a cidade meses depois. Recorda e conta o senhor Almir Santos que houve até um acidente antes da chegada do governador ao local; pessoas subiram em uma marquise de uma loja próxima para ouvir o discurso e a mesma não suportou o ...
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