TEIXEIRA DE FREITAS - NO CENTRO ROTATÓRIA, O TEMPO DA CIDADE
Por Daniel Rocha
O crescimento de Teixeira de Freitas, BA, principalmente entre as décadas de 1980 e 1990, aconteceu de forma muito rápida. A cidade recebeu muita gente de várias regiões, o comércio cresceu, os serviços aumentaram e Teixeira começou a se consolidar como uma das principais cidades do Extremo Sul da Bahia.
Mas esse crescimento acelerado também trouxe problemas urbanos que, muitas vezes, não acompanharam o ritmo da expansão da cidade, conforme observou Carlos Mensitieri, no livro Teixeira de Freitas - uma questão de planejamento urbano para a segurança no trânsito, de 2016.
Foi nesse cenário que a gestão do então prefeito Wagner Mendonça passou a defender a necessidade de um planejamento urbano mais organizado, baseado no Plano Diretor Urbano (PDU).
A ideia era tentar organizar o crescimento da cidade e corrigir problemas que vinham se acumulando desde os tempos em que Teixeira ainda era um povoado dividido entre os municípios de Alcobaça e Caravelas.
Ainda de acordo com Carlos Mensitieri, a elaboração do Plano Diretor Urbano ficou sob responsabilidade do Grupo Novo Lima Bueno, coordenado pelo arquiteto José Carlos Lima Bueno. Antes de apresentar propostas, a equipe realizou um amplo estudo sobre a cidade, analisando o território, o crescimento urbano e ouvindo diversos setores da população.
Ao longo desse processo, foram realizadas vinte e cinco reuniões com participação de empresários, sindicatos, escolas, universidades, igrejas, entidades culturais, servidores públicos e representantes da sociedade civil.
Foi a partir desse diagnóstico que começaram várias intervenções urbanas e viárias no município. Entre elas, uma das mais conhecidas foi a construção da rotatória — Praça da Avenida ACM — localizada na divisa entre os bairros Teixeirinha e Jardim Europa.
Mais do que uma simples obra de trânsito, a rotatória fazia parte de uma nova maneira de pensar a cidade. O objetivo era melhorar o fluxo de veículos, aumentar a segurança no trânsito, acompanhar o crescimento daquela região e também criar um espaço público de convivência.
Em 2005, já durante a gestão do então prefeito Padre Apparecido, a comissão municipal de trânsito continuou os estudos sobre segurança viária e apontou a necessidade de construir novas rotatórias em cruzamentos considerados perigosos, principalmente em locais onde os semáforos não seriam a melhor solução para evitar acidentes.
Historicamente, a rotatória do Jardim Europa acabou se tornando um símbolo de um período importante da cidade: o momento em que Teixeira de Freitas começou a buscar formas mais organizadas de lidar com o próprio crescimento urbano.
Mais do que uma obra isolada, ela representa uma mudança na maneira como o poder público passou a enxergar a cidade, tentando substituir o crescimento espontâneo por um modelo baseado em planejamento técnico e participação social.
Hoje, milhares de motoristas passam diariamente pela rotatória — Praça do Jardim Europa — sem imaginar que aquele espaço faz parte de um dos capítulos mais importantes do processo de modernização urbana de Teixeira de Freitas no início do século XXI.
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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Fonte:
MENSITIERI, Carlos. Teixeira de Freitas – uma questão de planejamento urbano para a segurança no trânsito. 2016.



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