CARAVELAS 1905 – A TÉCNICA DE COMBATE ÀS FORMIGAS
Por Daniel Rocha
Imagine enfrentar uma invasão de formigas sem veneno industrial, sem máquinas modernas e sem as facilidades da agricultura atual. Foi exatamente isso que os lavradores do Extremo Sul da Bahia fizeram há mais de 120 anos — e a solução encontrada chamou a atenção até da imprensa da época.
Em 1º de abril de 1905, o Jornal Official do Espírito Santo publicou uma carta enviada pelo então intendente de Caravelas, Francisco Soares dos Passos Monteiro, revelando uma prática surpreendente: o uso de azeite de baleia para combater formigas nas lavouras.
A notícia apareceu na seção “Descoberta Interessante – Útil aos Lavradores” e foi apresentada como uma solução eficiente contra as formigas cortadeiras, um dos maiores pesadelos dos produtores rurais da época.
Naquele início do século XX, Caravelas vivia em um cenário bem diferente do atual. O acesso à região dependia principalmente da navegação marítima e fluvial e da Estrada Bahia-Minas, enquanto as informações circulavam lentamente pelos jornais. Por isso, qualquer novidade capaz de proteger as plantações rapidamente despertava interesse entre os agricultores.
Conhecida pela pesca da baleia e pela produção de farinha desde o período colonial, Caravelas também sustentava sua economia com lavouras de café, mandioca e milho. E era justamente nessas plantações que as formigas causavam enormes prejuízos.
Segundo o relato publicado em 1905, o azeite de baleia era despejado nos formigueiros após a aplicação de água, permitindo que o produto penetrasse nas galerias subterrâneas. O intendente garantia que o método fazia as formigas morrerem ou abandonarem os ninhos, destacando ainda que o azeite era barato, eficiente e mais seguro do que outros produtos usados naquele período.
Algo que revela a criatividade e a capacidade de adaptação dos lavradores do Extremo Sul da Bahia em uma época em que sem defensivos modernos, eles transformavam os recursos disponíveis em soluções para proteger suas plantações e manter a economia regional em movimento.
Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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