1991 - A DENÚNCIA DE PADRE JOSÉ KOOPMANS

 


Por Daniel Rocha

No dia 28 de maio de 1991, o padre José Koopmans, uma das principais vozes na defesa dos direitos humanos, dos trabalhadores rurais e do meio ambiente no extremo sul da Bahia, esteve em Brasília participando do Primeiro Fórum Contra a Violência no Campo.

O encontro reuniu diversas entidades nacionais preocupadas com o aumento da violência no campo e com a impunidade que cercava esses crimes em várias regiões do Brasil.

A realização do fórum foi motivada por casos que haviam causado grande repercussão, como os assassinatos de lideranças rurais em Rio Maria, no Pará, e o desaparecimento do jornalista Ivan Santos da Rocha, em Teixeira de Freitas.

O fórum foi instalado na Procuradoria-Geral da República e contou com a participação de 16 organizações, entre elas a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Comissão Justiça e Paz, o Movimento Nacional dos Direitos Humanos e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Durante as discussões, o Instituto de Apoio Jurídico Popular (IAJUQ) apresentou números preocupantes sobre a violência no campo brasileiro. De acordo com a entidade, entre 1964 e 1991 foram registrados 1.634 processos envolvendo assassinatos de trabalhadores rurais, dirigentes sindicais, advogados e sacerdotes. 

Apesar desse número impressionante, apenas 24 casos chegaram aos tribunais, resultando em 12 condenações. Mais grave ainda: somente dois mandantes desses crimes haviam sido condenados.

Representando o Centro de Defesa dos Direitos Humanos do Extremo Sul da Bahia, padre José Koopman aproveitou o espaço para denunciar a atuação de grupos criminosos na região e cobrar uma investigação mais rigorosa sobre o desaparecimento do jornalista Ivan Santos da Rocha. Durante sua fala, ele pediu que a Polícia Federal assumisse as investigações.

“Nós queremos que esse sindicato do crime, que aparece em determinadas ocasiões na região, seja desmascarado pela Polícia Federal”, declarou.

Naquele momento, o pedido para que a Polícia Federal entrasse no caso dependia de uma resposta do governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães. A solicitação havia sido feita pela Fenaj ao então ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, que encaminhou o pedido ao governo baiano.

Como não houve manifestação do governador dentro do prazo esperado, a Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recorrer à Procuradoria-Geral da República, pedindo que Antônio Carlos Magalhães, o ACM,  fosse responsabilizado por omissão.

A participação de padre José Koopmans no fórum ajudou a levar para o debate nacional a realidade vivida no extremo sul da Bahia no início dos anos 1990, marcada pela violência no campo, pela impunidade e pela atuação de grupos criminosos que, segundo as denúncias da época, espalhavam medo e insegurança na região.

Daniel Rocha da Silva

Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.

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FONTE: 

Forum faz avaliação da violência no campo. Jornal do Commercio,  Maio de 1991. Acervo site tirabanha.

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