2002 - Teixeira de Freitas e a corrida de Pombos

 


Por Daniel Rocha

Em outubro de 2002, Teixeira de Freitas chamou a atenção de um público bastante diferente dos habituais visitantes da cidade. Naquela manhã, centenas de pombos-correio foram soltos no município para dar início a uma das principais competições da columbofilia brasileira. 

O destino das aves era a cidade de Campos dos Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro, onde aconteciam a 15ª Exposição Nacional e o 4º Columbódromo Nacional.

A escolha de Teixeira de Freitas como ponto de soltura não foi por acaso. A distância entre as duas cidades representava um desafio ideal para testar a capacidade de orientação, resistência e velocidade dos pombos, características valorizadas pelos criadores e competidores da modalidade.

Segundo informações divulgadas na época pela comissão organizadora do evento, 239 pombos participaram da prova. As aves foram soltas às 7 horas da manhã em Teixeira de Freitas e começaram a chegar ao columbódromo em Campos no início da tarde do mesmo dia. 

O primeiro pombo a completar o percurso pertencia a um competidor de Goiânia, enquanto o segundo colocado era de propriedade do presidente da comissão organizadora, Ruy Marcus Rangel Barbosa.

A competição fazia parte de um evento nacional realizado no Pavilhão de Leilões da Fundação Rural de Campos, reunindo columbófilos — como são conhecidos os criadores de pombos-correio — de diversas regiões do país. 

Além das provas de voo, a programação incluía exposição das aves, competições e leilões, buscando divulgar uma prática que, embora possuísse muitos adeptos, ainda era pouco conhecida do grande público.

Para a realização da disputa, 335 pombos haviam sido enviados para Campos com cinco meses de antecedência. Durante esse período, permaneceram alojados em um pombal construído especialmente para o evento, localizado em Santa Ana, no Km 13.

 O tempo de adaptação era considerado fundamental para que, após a soltura em Teixeira de Freitas, as aves reconhecessem o caminho de volta ao seu novo lar temporário.

Cada ave era identificada por um chip eletrônico, que registrava com precisão o momento da chegada, eliminando dúvidas na classificação. Dessa forma,  a cidade entrou para a história da columbofilia nacional ao servir de ponto de partida para uma competição que reuniu criadores de várias partes do Brasil. 


Daniel Rocha da Silva
Historiador graduado e pós-graduado em História, Cultura e Sociedade pela UNEB-X.
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