Filmes que marcaram época em Teixeira de Freitas: Titanic






Por Daniel Rocha

Teixeira de Freitas (BA) – Em dezembro de 1996, após cinco anos sem uma sala de cinema em funcionamento, a população de Teixeira de Freitas voltou a ter contato com a sétima arte com a inauguração do Cine Teixeira, instalado no recém-inaugurado Teixeira Mall. A reabertura marcou o início de uma nova fase cultural na cidade, que teve seu ponto alto com a exibição do fenômeno Titanic.

Dirigido por James Cameron, o filme se transformou em um marco mundial de bilheteria e, em Teixeira, não foi diferente. A produção, que conta a trágica história de amor entre Jack e Rose (vividos por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet) a bordo do transatlântico Titanic, mobilizou o público local como nenhum outro título havia feito até então.

Estreado no Brasil em janeiro de 1998, Titanic demorou a chegar ao interior baiano, já que o Cine Teixeira ainda exibia filmes fora do circuito comercial. Mesmo assim, a expectativa foi tanta que, quando finalmente entrou em cartaz, o longa permaneceu por quatro meses, alcançando a marca impressionante de mais de 16 mil espectadores — um recorde na história do cinema local.

Segundo o gerente da sala, José Raimundo Santana Fontes, conhecido como “Raimundinho”, as filas no shopping formavam um corredor humano que se estendia até o lado de fora. "Foi preciso abrir sessões pela manhã, algo raro na nossa programação", recorda.

Ele conta que, apesar do público expressivo, o lucro foi baixo: o valor dos ingressos era tão acessível que, anos depois, o Cine Teixeira seria citado pelo jornal A Tarde como "o cinema mais barato do Brasil".

A estreia também movimentou o comércio formal e informal. Fãs lotaram bancas e lojas em busca de pôsteres, revistas e produtos com a imagem dos protagonistas. Paralelamente, grupos religiosos protestaram contra a obra.


Motivados por uma fala do personagem do capitão do navio, interpretado por Bernard Hill : "Nem Deus afunda o Titanic" , fiéis evangélicos distribuíram panfletos com a frase bíblica: “De Deus não se zomba, pois tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gálatas 6:7).

Em entrevista concedida à Folha de S. Paulo em 2014, o crítico Ignácio Araújo analisou o fenômeno: “É fantástico o que ocorre com o filme de James Cameron. Foi feito em 1997. Trata, de certo modo, da arrogância do homem, da crença de que pode criar ‘o indestrutível’.Talvez multidões tenham assistido por preverem que, depois da bonança, vem a tempestade. Ela viria, na forma de uma crise gigantesca, em 2008”.

O impacto da exibição do filme Titanic em Teixeira de Freitas não foi apenas um fenômeno de público, mas também um retrato do poder do cinema em mobilizar afetos, debates e memórias. Mais do que um filme, foi um acontecimento.

Fontes:


ARAUJO. Ignácio. Historia de amor de “Titanic” é  uma desgraça, como o naufrágio. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/04/1440484-critica-historia-de-amor-de-titanic-e-uma-desgraca-como-o-naufragio.shtml . Acessado em Agosto  de 2015.

Conversa informal com José Raimundo Santana Fontes o ” Raimundinho”. Agosto de 2015.

ROCHA.Daniel; OLIVEIRA.Danilo. Cinema – Contribuição no processo de Formação da Sociedade de Teixeira de Freitas nos anos de 1960, 1970 e 1980.

Vejam também:

Atualizado 26/07/25

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